domingo, 3 de dezembro de 2017

Romena de 29 anos foi encontrada pela polícia italiana trancada a chave em um porão sem água, luz elétrica ou sistema de esgoto.

A romena encontrada pela polícia italiana vivia trancafiada e em situação precária. "Quando os agentes entraram, a jovem estava sentada no chão, com uma criança no colo, completamente no escuro, em meio a excrementos, insetos e ratos. Uma situação macabra, difícil de descrever", disse à BBC Brasil o capitão Pietro Tribuzio, comandante da Polícia Militar da cidade de Lamezia Terme, no sul do país.


A situação deplorável em que a mulher, que não teve a identidade revelada, era mantida foi descoberta quase por acaso. Durante uma blitz de rotina, realizada no dia 9 de novembro, os policias de Gizzeria, município calabrês com menos de 5 mil habitantes, pararam Aloisio Francesco Rosario Giordano, de 52 anos, por dirigir em alta velocidade.

"Além das péssimas condições do automóvel, os policiais notaram uma criança dormindo no banco traseiro. A grande diferença de idade entre o homem e o menino de nove anos, que ele disse ser seu filho, o comportamento reticente e as respostas evasivas que fornecia suscitaram a suspeita dos agentes", contou Tribuzio. "Ao levantarem sua ficha criminal, os policiais constataram que Giordano já havia sido condenado por sequestro e violência sexual, e decidiram segui-lo até a sua residência."

De acordo com o comandante, quando os policiais chegaram ao terreno, em uma localidade isolada e de difícil acesso de Gizzeria, o homem teria dito que a mulher e a filha deles de três anos não estavam em casa naquele momento. Ainda segundo Tribuzio, os policiais então notaram a porta de um galpão trancada com corrente e cadeado, e ordenaram ao homem que a abrisse.

Segundo a imprensa local, Giordano escondia a chave dentro de seu carro. Ao abrirem a porta, os agentes encontraram um porão, descrito por eles como um local lúgubre: havia dezenas de objetos acumulados, restos de comida, latas com excrementos e um colchão no chão, onde a jovem dormia com os filhos.

Inicialmente a mulher teria afirmado viver naquelas condições de comum acordo com Giordano e acabou transferida, com as duas crianças, para um hotel da cidade. Mas dias depois, após receber assistência psicológica, a vítima começou a relatar a violência a que teria sido submetida por dez anos.

Os detalhes do período de cativeiro, revelados pela imprensa local, surpreendem pela crueldade do sequestrador. Entre outras agressões físicas, a jovem contou ter recebido vários golpes na cabeça e cortes no órgão genital, e que os ferimentos eram costurados pelo homem com linhas de náilon, utilizadas para pesca. A mulher teria dito ainda que os filhos também eram vítimas de agressões físicas, e que Giordano obrigava as crianças a insultar e a cuspir na própria mãe.

"As duas crianças nasceram no hospital de Catanzaro", disse o comandante da polícia à BBC Brasil. Depois do parto, a mulher teria sido impedida pelo sequestrador de voltar ao médico, e os pontos teriam sido retirados por ele mesmo, com uma pinça.


"O terreno onde o sequestrador mantinha a vítima e os filhos, herdado da mãe, era isolado e de difícil acesso, e isso o ajudou a mantê-la escondida por tanto tempo."

"Para não levantar suspeitas, quando os professores começavam a perguntar pela mãe do aluno, Giordano transferia o filho de nove anos de escola", contou Tribuzio.

"Após o relato da vítima, o italiano foi preso no dia 21 de novembro. Em sua ordem de prisão, o juiz definiu as declarações do acusado como não críveis, porque intrinsecamente inverossímeis, confusas e em parte contraditórias".

Esta é a segunda vez que Giordano é acusado formalmente de violência contra mulheres. Em 1995, ele foi condenado a cinco anos de prisão por sequestro, violência sexual e lesões corporais contra uma jovem de 23 anos. Durante o processo, essa jovem contou ter sofrido dois abortos provocados pelo agressor e que era submetida a violência física, inclusive na presença da mulher de Giordano, uma cidadã marroquina com a qual o homem tem dois filhos.

A moça recém-libertada do cativeiro chegou à Itália em maio de 2007, quando tinha 19 anos, em busca de trabalho e de uma vida melhor.
Meses depois teria sido contratada por Giordano para cuidar de sua mãe doente, mas a mulher era, na verdade, sua esposa. Aos policiais, a jovem contou que o percurso entre as cidades de Lamezia Terme, onde vivia, e Falerna (onde Giordano morava com a mulher) foi a última viagem serena da sua vida. "Sem saber, eu estava indo de encontro com aquilo que se revelou um inferno", disse ela aos agentes. Informações e fontes "UOL".


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