sábado, 3 de março de 2018



Segundo a Unicef, uma morte infantil ocorreu a cada hora no país desde que o ano começou.



A guerra na Síria já deixou mais de 1.000 crianças mortas ou gravemente feridas desde que 2018 começou, afirmou um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, em Genebra, na Suíça. A estimativa é que uma criança morra a cada hora no país.

Se as mortes se confirmarem, esta segunda-feira terá sido um dos dias mais sangrentos da guerra civil no país.

Mulheres e crianças são as principais vítimas. "Estamos vivendo em um porão, embaixo de uma casa parcialmente destruída", conta Asia, uma estudante de 28 anos e mãe de três crianças, cujo marido foi morto em um ataque realizado pelo governo sírio enquanto estava a caminho do trabalho.

Asia e sua família, ou que restou dela, vivem em Guta Oriental, ao leste de Damasco, a capital da Síria, sem comida ou saneamento.



Ali, moram cerca de 400 mil pessoas.

Desde domingo, a área, considerada uma das últimas controladas pelos rebeldes, vem sendo intensamente bombardeada.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, organização de monitoramento sediada no Reino Unido que faz oposição ao presidente Bashar al-Assad, diz que o governo e seus aliados realizaram mais de 1.290 ataques aéreos em Ghouta Oriental e dispararam 6.190 foguetes e granadas na região desde meados de novembro, quando o conflito recrudesceu.

Entre domingo e quarta-feira, foram registrados aproximadamente 420 ataques aéreos e 140 bombas de barril (artefato explosivo improvisado consistindo em barris cheios de explosivos) foram lançadas por helicópteros.

Especialistas em crimes de guerra da ONU também estão investigando vários relatos de foguetes supostamente contendo cloro que está sendo disparados em Guta Oriental neste ano.

Nos últimos três meses, segundo dados do Observatório Sírio de Direitos Humanos, mais de 1.070 pessoas, incluindo várias centenas de crianças e mulheres, foram mortas enquanto outras 3.900 ficaram feridas.

Mouayad, de 29 anos, mãe de duas crianças pequenas, diz à BBC: "Você não pode imaginar o quão difícil é viver aqui".

"Para que essas crianças vivam sua infância em segurança, você tem que mantê-las no porão. Não podem sair, jogar no jardim ou qualquer outra coisa", conta.



Muitas pessoas conseguiram obter alimentos essenciais por meio de uma rede de túneis informal que conecta Guta Oriental com os distritos controlados pelo governo vizinhos a Damasco, bem como por comerciantes que fizeram acordos com tropas.

Mas, no ano passado, o governo fechou muitos túneis e comércio ficou limitado. De setembro até o final de novembro, nenhum veículo comercial foi autorizado a entrar em Guta Oriental, segundo a Reach Initiative (iniciativa conjunta entre duas ONGs e um dos braços da ONU), que mantém contato com moradores para coletar informações humanitárias.

Entregas limitadas foram retomadas em dezembro, mas as restrições levaram ao esgotamento dos estoques de alimentos e preços extremamente inflacionados.

Os moradores disseram à Reach Iniatiative que passaram dias sem comer, consumiram plantas não comestíveis ou reduziram o tamanho das refeições devido à falta de acesso a alimentos.

"Para o meu filho de três anos, faço pão. Para minha filha, busco uma vaca para tirar leite", diz Mouayad. "Sou estudada. Posso ganhar dinheiro para alimentar meus filhos. Outras pessoas, outras famílias, não podem fazer isso".

Mesmo assim, Mouayad explicou que tinha apenas dinheiro suficiente para pagar alimentos para sua própria família por alguns dias a mais. Ela diz não saber o que fazer depois que suas economias acabarem.

Asia não tem emprego e não pode se dar ao luxo de comprar muita comida quando sai de casa. Seu pai e seu irmão estão mortos.

"Recebo dinheiro para os meus filhos de uma organização que ajuda órfãos, mas, infelizmente, não tenho o suficiente", diz ela. Informações "G1"


0 comentários:

Postar um comentário