sexta-feira, 23 de março de 2018


Trabalho ajuda a revelar como eram e viviam os povos mais antigos do Brasil.



Nesta quinta-feira, 22, pesquisadores brasileiros, especialistas do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentaram a reconstituição digital do rosto de um original “carioca da gema”. O rosto de um homem que viveu há dois mil anos no Rio de Janeiro. O trabalho ajuda a revelar como eram e como viviam os povos mais antigos do Brasil, anteriores aos índios tupinambás.

O ancestral dos atuais cariocas era bem baixinho para os padrões atuais, tinha entre 1,40 e 1,50 metro e vivia perto da praia. Tinha a pele bem morena e características indígena, pelidado de “Ernesto”. Homenagem ao odontólogo Ernesto de Salles Cunha (1907-1977), um dos pioneiros nos estudos de paleopatologia de povos antigos no Brasil -, ele teve seus restos desencavados nos anos 1980 em expedições lideradas por Lina Kneip, arqueóloga do Museu Nacional também já falecida, no Sambaqui do Zé Espinho, em Guaratiba, Zona Oeste da cidade.


"Escolhemos então um dos mais bem preservados para representar como eram os antigos habitantes do Rio. Queríamos dar um rosto para esses povos para levar as pessoas a pensarem na importância da preservação de sítios arqueológicos como estes. São as únicas fontes de informações que temos sobre estas populações, já que elas sumiram antes de os portugueses chegarem aqui e não existem registros escritos ou arquitetônicos delas além dos próprios sambaquis. Uma caveira não costuma ser tão simpática para as pessoas, mas um rosto já gera empatia", relembra Murilo Quintans Bastos, bioarqueólogo do Departamento de Antropologia do Museu Nacional, da UFRJ, e um dos responsáveis pelo projeto de reconstrução da face de “Ernesto”.

O estudo dos ossos revela um desgaste maior dos membros superiores, indicando que, possivelmente, ele remava muito e pescava. A reconstrução foi feita a partir de um esqueleto achado em Guaratiba, na zona oeste da cidade.




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