quinta-feira, 1 de março de 2018


O pastor Marcos Pereira da Silva, líder da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD), foi preso sob acusação de estupro, e condenado a 15 anos de prisão em 2013. Mas foi solto em 2014, após uma liminar de habeas corpus.

O Supremo Tribunal Federal (STF) cassou a liminar que mantinha o pastor Marcos Pereira, livre da prisão. Assim, ele deverá ser preso novamente em breve por conta da sentença a 15 anos de regime fechado por estupro.


Na sessão da última terça-feira, 27 de fevereiro, a 1ª Turma do STF julgou o mérito da liminar e decidiu cassa-la, por 2 a 1 cassou. O crime do qual Marcos Pereira é acusado teria ocorrido em 2006, e segundo os autos do processo, o pastor afirmou que a vítima, uma fiel da igreja
estava possuída por um demônio e a forçou a ter relações com ele. O religioso nega.

À época, Marcos Pereira foi acusado de outros crimes, como por exemplo, ligação com o tráfico de drogas. As denúncias partiram do líder comunitário José Júnior, do Afroreggae, mas o pastor da ADUD terminou absolvido.


Os advogados do pastor pediram a anulação da sentença de primeira instância por cerceamento da defesa, e, caso o pedido não fosse concedido, a prescrição da denúncia, sob o argumento de que a investigação do suposto crime, à época em que teria sido cometido, partiam de iniciativa privada.

Na visão dos defensores, os inquéritos só seriam instaurados caso houvesse interesse da vítima. Em 2009, a lei mudou e essa responsabilidade passou a ser do Ministério Público, que a exerceu em 2013, quando as acusações contra Marcos Pereira vieram à tona.


O ministro Alexandre de Moraes, presidente da 1ª Turma, não se concenceu do argumento, assim como a ministra Rosa Weber, e ambos votaram pela cassação da liminar, por entenderem que neste caso incide a Súmula 608 da Corte, que determina que “nos crimes de estupro praticados mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada”.

Na decisão, Moraes declarou que a “além da violência física, a violência psicológica foi amplamente demonstrada porque o condenado, ao utilizar sua liderança espiritual, amedrontava a vítima e a fazia acreditar que ela estava endemoniada”, e acrescentou que “a vítima tinha o condenado como homem de Deus na Terra, como uma pessoa sagrada”.

A Turma é composta por cinco ministros, mas Luís Roberto Barroso e Luiz Fux estavam ausentes e, portanto, a decisão foi tomada por 2 votos a 1, segundo informações do jornal Estadão.

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