segunda-feira, 19 de março de 2018


Em entrevista emocionante ao Fantástico, a arquiteta Monica Tereza Benício conta que a companheira assassinada estava feliz e não se sentia ameaçada. As duas planejavam se casar ano que vem.

A arquiteta Monica Tereza Benício, era companheira de Marielle, com quem vivia por 12 anos juntas, contou em entrevista ao Fantástico que ainda tenta aceitar a perda de sua companheira.

Monica diz que Marielle, estava feliz e despreocupada, não falava em ameaças, nem se sentia em risco. As duas planejavam se casar em setembro do ano que vem e já tinham começado, aos poucos, os preparativos.

A entrevista emocionada ao fantástico nesse domingo (18) Monica relembrou a relação com Marielle, os planos interrompidos e o momento em que rerecebeu a notícia trágica. A entrevista foi interrompida várias vezes pelo choro de Monica.


A arquiteta ainda tenta aceitar o que aconteceu. "Eu ainda não consigo acreditar que ela não vai voltar pra casa. Eu ainda não consigo entender por que fizeram isso com ela."

O dia do crime:

"Ela mandou uma mensagem 'já tô no carro, vc tá precisando de alguma coisa? precisa que eu leve alguma coisa?' Falei que não, entrei em casa, achei que ela fosse chegar um pouco primeiro. E 20 minutos depois ela ainda não tava em casa, eu achei aquilo esquisito. Aí liguei mais 20 vezes e fui começando a ficar muito desesperada porque ela não atendia."

Uma amiga foi até sua casa contar o que havia acontecido.

"Eu falei 'Dani o que que aconteceu? Cadê a Marielle?' Ela falou: 'você precisa ser forte. A Marielle morreu'. E aí eu caí no chão porque eu não conseguia ficar em pé."

Abalada emocionalmente Monica continuou:

"É muito difícil porque eu ainda não consegui concretizar que ela não vai voltar. Isso é uma coisa que eu ainda não entendo, eu não consigo dormir porque ela não tá do lado e, quando eu acordo e abro o olho e entendo o que tá acontecendo, é muito dificil querer levantar da cama. Eu pensava porque que eu não tava no lugar do Anderson. Porque eu não consigo entender o que que eu vou fazer da minha vida sem ela agora."

"Posso continuar falando porque eu acho que ela ia querer isso. Ela era muito forte na rua, na câmara, gritava e falava. Eu sempre brinquei que eu precisava daquela força e ela da minha racionalidade porque era muito impulsiva com algumas coisas e em casa ela era completamente o oposto daquilo porque era uma mulher super frágil, que chorava pelos conflitos do dia, chorava porque pessoas tinham perdido a casa."

Na casa dos pais de Marielle, a dor é intensa. Pai, mãe, irmã e filha unem forças para enfrentar o momento. Segundo eles, ela era a liderança da casa, quem unia os familiares. Uma pessoa forte e determinada, que não tinha medo de enfrentar as dificuldades.

“Ela sempre foi muito determinada. E só tinha uma maneira, só tinha uma maneira de calar minha filha, é o que eles fizeram com ela. Porque se eles não matassem ela ia alçar voos mais altos. Ela ia chegar muito mais longe”, diz o pai de Marielle, Antonio Franco.


Além de lidar com a dor da perda, os familiares sofrem com mentiras e ofensas publicadas na internet. “As pessoas estão colocando mentiras, cara. Minha mãe não era nada disso”, diz a filha Luyara, de 19 anos.

“Algumas pessoas não entendem o que é direitos humanos, essa que é a verdade. Nunca entenderam. Porque chamar minha filha de bandida, é inadmissivel”, diz a mãe da vereadora, Marinete.

Luyara desabafa e pede que as ofensas parem. “Que parem de falar mentira, as pessoas não conhecem ela, a gente conhecia, a gente sabe a história, a gente estava no dia a dia. Que respeitem a dor, nossa dor, nosso luto (...) Só respeito, peço justiça e que parem de inventar essas coisas.” Informações "G1"


0 comentários:

Postar um comentário