sexta-feira, 27 de abril de 2018


Na sua infância você provavelmente já sonhou em ter uma casa na árvore, com projetos fantástico, não é mesmo?

Pois para Raimundo Mota, de 66 anos, esse projeto se concretizou. Sozinho ele construiu sua casa de madeira a uma altura de seis metros, que para ele é considerado um espaço de descanso.

Em São Gonçalo RJ, perto da garagem dos ônibus da empresa Rio Ita, do lado direito da BR-101, uma pequena casa na árvore pode ser vista no alto de uma mangueira. A casinha na árvore do Sr Raimundo, chama atenção dos pedestres que passam pela passarela em frente ao terreno, pelo bom gosto, ainda que pequena.


O aposentado a construiu sem ajuda de ninguém, ao longo de 2017, mesmo tendo uma ferida grande no pé esquerdo em decorrência da diabetes.

O sonho de construir uma casinha de madeira surgiu após anos trabalhando como caseiro na praia de Itacoatiara, na Região Oceânica de Niterói. Raimundo via casas feitas desse material e, então, reuniu uma vários pedaços de madeira, muitos de móveis abandonados perto de sua residência, e começou a dar forma à casa.


O imóvel de apenas um cômodo abriga uma cama de solteiro, um aparelho de som e alguns livros. No som, gosta de ouvir “um pouco de tudo”, mas confessa ser amante do forró, ritmo vindo de sua terra natal, o Ceará, onde ouviu música pela primeira vez aos 15 anos, no rádio. Os livros, todos de conteúdo religioso, o ajudam a manter o equilíbrio, diz ele, que só aprendeu a ler e escrever aos 50 anos, quando uma colega de trabalho, em Itacoatiara, o convidou para ir à escola.

"Não tenho religião, mas acredito em Jesus Cristo. Quando vem um pensamento ruim, esses livros me ajudam a ficar em equilíbrio" afirma ele, que decorou a sua casa com uma série de plantas que, popularmente, são conhecidas por oferecer proteção às residências, como a arruda e a espada de São Jorge.


A casinha na árvore é seu refúgio, conta Raimundo. Mesmo com dificuldades, ele sobe na escada de madeira que construiu, um pouco bamba e com pregos à vista. Ali, considera estar longe de todos os problemas. Para ele, é um lugar para relaxar.

Em 1970, vindo sozinho do Nordeste para o Rio de Janeiro, Raimundo começou a trabalhar numa confeitaria da Rua Siqueira Campos, em Copacabana. Após 30 anos desenvolvendo suas habilidades em fazer quindins e bombas de chocolate, foi trabalhar como caseiro, quando o novo sonho começou a ser construído.

"Sempre tive que trabalhar. Nasci em Ipu, sertão do Ceará, passei fome com a minha família. Tive que trabalhar muito para trazer pão para dentro de casa" conta ele, que é viúvo e pai de quatro filhos.


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