quinta-feira, 10 de maio de 2018


Os crimes ocorreram em 2017 na paróquia de Pirabeiraba, distrito de Joinville, onde o réu passou a morar depois de atuado em São Francisco do Sul, cidade na qual administrou a paróquia de Santa Paulina por quase cinco anos.

O padre Marcos, foi condenado a 33 anos, dois meses e seis dias de prisão em regime fechado por estupro de vulnerável, cujas vítimas são dois meninos de 12 e 13 anos que frequentavam a paróquia onde o religioso trabalhava.

O pai de um dos garotos, que é afilhado do religioso, contou ao G1 sobre o sofrimento da família assim que os crimes vieram a público e disse que houve falta de apoio da igreja católica.

Após o pai ver o menino perder amigos e se sentir discriminado na comunidade religiosa que frequentava, ele decidiu colocar a casa e o negócio da família à venda e recomeçar em outro município.

"Meu filho sofreu muito. Decidimos sair de São Francisco do Sul, para que ele voltasse a ser feliz. Graças a Deus, a Justiça foi feita", disse.

O pai, que tem a identidade preservada para a proteção do adolescente, contou que o garoto, na época com 13 anos, estava sofrendo preconceito. "As pessoas na igreja começaram a olhá-lo de um jeito diferente, mas ele é a vítima. As pessoas começaram a nos ofender nas redes sociais. Foi muita hipocrisia”, afirmou.

Paróquia de Pirabeiraba, distrito de Joinville, onde atuava o padre

Para o pai, nos momentos mais difíceis, a igreja não ofereceu apoio. “O advogado nos cobrou pelo trabalho dele, então, fui pedir ajuda ao bispo, que nem nos recebeu. Um padre do [setor] financeiro da Mitra disse que não tinha nada a ver com isso e comparou nosso filho a uma televisão. Ele disse: ‘se você compra uma televisão e ela dá defeito, o problema é de quem?’”, contou.

Sem auxílio, a família explicou que precisou recorrer ao parcelamento dos honorários do advogado. “Estou pagando até hoje. Graças a Deus ele me deu a possibilidade de pagar aos poucos".

Diante da situação, o pai disse que a família deixou de frequentar a igreja.

Relatos das vítimas:

Uma das vítimas contou à NSC TV o que aconteceu em uma das noites que foi convidado a dormir na casa do padre. "No meio da noite ele começou a lamber a minha orelha. Eu achei aquilo estranho. (...) Daí ele tava passando a mão na minha barriga, ele tentou mexer no meu pênis e eu tirei a mão dele. (...) Na terceira vez que ele fez força, eu não consegui tirar a mão", disse.

Um garoto de 13 anos contou à NSC TV que o clima nos primeiros dias na casa do padre era de diversão. "Ele começou a apresentar a casa dele para nós e foi mostrar os quartos que a gente ia dormir e depois tomamos café e comemos. Saímos da mesa de janta e fomos assistir a um filme", disse o garoto.

Segundo o adolescente, o padre dormiu num quarto separado dos meninos. No domingo, três amigos voltaram para casa. Mas ele e outro garoto ficaram para mais uma noite - segundo ele, por insistência do padre - que teria convidado os dois para dormirem no mesmo quarto.

Pedido de ajuda:

Após violência, menino correu ao banheiro e pediu socorro ao pai por WhatsApp

"A cama era bem grande, daí ele [padre] dormiu no meio. O meu amigo no lado direito e eu do lado esquerdo", contou. Enquanto o amigo dormia, o adolescente contou que foi abusado pelo padre.

"Eu estava fazendo força para tirar a mão dele. Depois eu me virei com o corpo para o lado para... para... para ele parar de mexer no meu pênis. Daí depois disso... eu falei que precisava ir no banheiro e, sem ele ver, eu fui com o meu celular", contou o garoto. Por mensagem, ele pediu ajuda ao pai, que foi imediatamente até a casa.

A mãe de outro menino diz que o filho contou que os atos eram feitos em tom de brincadeira. "Ele contou que tinha umas brincadeiras que ele achava estranhas, que ele não gostava e não se sentia confortável que era do padre querer ficar pegando no pênis, mas era como se fosse uma brincadeira. Perguntando o tamanho do pênis, de quem tinha o pênis maior", disse a mulher.

Com tudo isso o religioso Marcos Roberto Ferreira foi condenado a 33 anos de prisão em regime fechado pelo crime de estupro de vulnerável.
Informações: "G1"


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